A Estação e a Felicidade, por Alvaro Santos

Um dia desses passei caminhando pela estação ferroviária de Assis, hoje, terminal de ônibus urbano. Parei por um instante para observar sua arquitetura e as marcas que o tempo deixou. Comprimi os olhos, por um instante, e me transportei para um tempo em que a estação era tomada pela efervescência dos passageiros.

Milhares de pessoas circulando pela estação, diariamente, com suas bagagens, seus abraços e adeus. Senti que deveria ter sido uma boa época, um tempo em que a vida passava mais devagar.

A estação se tornou uma memória, uma lembrança dos encontros e desencontros. Já foi um portal de possibilidades para quem chegava com a intenção de começar uma nova vida por aqui. Na bagagem, alguns pertences e muitos sonhos. A estação está desativada, mas suas paredes estão carregadas de inspirações e mensagens profundas.

Essa epifania me fez entender que somos como passageiros à procura de uma estação. Uma estação que abra as portas de um lugar que comporte nossos sonhos e nos de sentido para a vida. Todos, indistintamente, somos acometidos por pensamentos introspectivos em busca de respostas. Quem sou? Porque existo? Qual o sentido da minha vida? O que ainda me falta para eu ser plenamente ou minimamente feliz?

Não existe uma resposta pronta ou uma receita de bolo que nos sacie de nossa inquietude. O que sabemos é que o tédio e a tristeza são condições necessárias para a formação da vida. Não valorizaríamos a felicidade sem a tristeza, nem a paz sem os conflitos internos e externos.

Lya Luft escreveu o seguinte em seu livro intitulado Perdas e Ganhos, “A construção da vida é um trabalho que não dá férias nem concede descanso: Haverá paredes frágeis, cálculos mal feitos, rachaduras. Quem sabe um pedaço que vai desabar. Mas, também, se abrirão janelas para paisagens e varandas para o sol.”

O que é a vida senão uma eterna obra inacabada. Uma construção de nós mesmos e das nossas relações. A felicidade e a paz são bens que encontramos pelo caminho, mas que se dissipam como a névoa. Não dá para levar na bagagem, nem prendê-la à uma condição desejável. Quanto mais a procuramos, mais dela nos afastamos, já dizia Sêneca.

Rica ou pobre, bela ou feia, saudável ou doente, com amigos ou sem amigos, livre ou presa. Independentemente da situação em que se encontra uma pessoa, as crises existenciais, a tristeza e o tédio, os acometerão constantemente.

As emoções são instantâneas e na mesma velocidade que chegam, partem. Em segundos se transformam em apenas lembranças, algo a ser novamente desejável ou rejeitado.

A estação deve ser a parada do autoconhecimento, um lugar cuja introspecção nos leve a errarmos o menos possível em nossas escolhas e atitudes, afim de alcançarmos uma vida abundante e repleta de boas emoções. Sócrates já havia dito: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”.

Por Alvaro Santos

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