A ZONA DE CONFORTO, DEFINITIVAMENTE, NÃO É MEU LUGAR

Ontem li um artigo escrito pelo blogueiro Matheus de Souza, cujo título é, “Quem disse que você precisa sair da sua zona de conforto?”. Seu pensamento provocou minha empatia, apesar de entender que há casos que não funcionam dentro dessa premissa.  Foi então, que decidi que iria corroborar com sua tese, aliás, desafiado pelo próprio Matheus. (Aconselho você a ler o artigo dele)

A expressão “zona de conforto” diz respeito a um lugar onde alguém não se sinta ameaçado ou exposto a algum tipo de risco. Apesar de sua posição estável e segura, é possível que este alguém não esteja contente e queira dar uma chacoalhada em sua vida, tornando-se um alvo em potencial do apelo para abandonar a zona de conforto.    

Fui pastor presbiteriano por quatorze anos. Os últimos quatro anos foram marcados por decepções e conflitos existenciais. Não estava mais feliz, apesar da estabilidade e da situação confortável. Assim como Matheus, li muito sobre a importância de se abandonar a zona de conforto para alcançar um propósito maior. Confesso que foi exatamente isso que fiz. Em um concílio da igreja, onde fui alvo de críticas por pensar diferente, tomei a decisão de subir na tribuna e entregar meu pedido de exoneração em caráter irrevogável.     

Os dias que sucederam foram difíceis e excruciantes. Foi um período de incertezas e muita angústia. Quando se tem esposa e dois filhos pequenos, tudo se potencializa. Sua mente é constantemente atacada por pensamentos perniciosos e sentimentos atribulados. É preciso ser forte e determinado para decidir mergulhar para fora da zona de conforto, como fiz. Não que eu fosse forte. Aconteceu devido o grande anseio pela liberdade e o desejo de mudar. Sobrevivi e, consequentemente, me tornei mais forte diante das adversidades.

Você quer saber se me arrependi? Não mesmo! Saltar ao acaso foi a melhor coisa que fiz. Descobri novos caminhos e conheci pessoas diferentes e muito interessantes. Encontrei a liberdade e um mundo de possibilidades. Também descobri habilidades que nunca encontraria na zona de conforto. Melhor seria se eu pudesse sair lentamente, com mais prudência para evitar maiores riscos e danos emocionais, como o Matheus fez, mas isso não funciona com todo mundo.

Como pastor, conheci muita gente vivendo uma vida estranha para si e infeliz. Negando suas aspirações e sonhos, em troca de uma vida “segura” e confortável. Dias atrás, assisti a um vídeo onde uma pessoa dizia que no final da vida, nosso “eu” que foi, se encontra com nosso “eu” que deveria ter sido (algo assim), e isso, pode resultar num grande sentimento de frustração e arrependimento.

Finalizo com a certeza de que pessoas de sucesso nunca serão vistas na zona de conforto (sucesso não é sinônimo de riqueza material, tá!). É um lugar demasiadamente monótono para quem tem grandes sonhos. Definitivamente, também não é o meu.

Por Alvaro Santos

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.