Alunos, professores e servidores vão às ruas contra cortes na educação

Após inúmeras atividades, de reflexões e debates, para acender a chama da resistência contra os ataques do governo Bolsonaro, as centrais sindicais, reunidas em assembleia no dia 1º de maio, decidiram convocar uma greve geral para o dia 14 de junho para protestar e exigir o fim dos cortes na educação e a derrubada da reforma da Previdência, que prejudicará a classe trabalhadora e os mais pobres.

Estudantes, professores e servidores decidiram pela antecipação dos protestos. Amanhã será um grande aquecimento para motivar ainda mais pessoas a participarem do grande ato que acontecerá em junho. O governo está indo longe demais com sua política de ódio e perseguição contra seu próprio povo.

 Bolsonaro está jogando bitucas no palheiro. Desde que o governo começou a se movimentar com promessas de cortes de cursos, programas de pesquisa e ameaças a professores, o setor vem se mobilizando através reuniões e pequenas assembleias. São as pequenas chamas que estão ganhando força e disposição para incendiar as ruas do país com grandes protestos. A UNE, que estava um pouco afastada dos holofotes desde 1992, na ocasião do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, se manifestou dizendo que Bolsonaro vai provar o gosto da pressão popular.

No início os cortes de 30% atingiram apenas três universidades federais, a UnB, a Federal da Bahia e a Federal Fluminense. No entanto, o governo não se contentou e decidiu atacar todas as federais. Não dá para entender o que o governo pretende com esses cortes, nem ele sabe explicar. Provocar um grande levante no setor, gratuitamente, é que não pode ser. Só se as acusações de insanidade coletiva do governo proceder.

Seria uma provocação com propósito de golpe? Uma maneira de justificar conflitos maiores contra a população e a volta da ditadura? Quando adolescente, lembro de que as brigas nas escolas, começavam com provocações nas salas e corredores, assim se justificaria quando o pau comia nos portões.

Movimentação nos campis universitários é percebida desde a eleição de Bolsonaro, Com certeza é um dos motivos para a perseguição do presidente às instituições federais. O que Bolsonaro não aprendeu, por não estudar história, é que a repressão não é o melhor modo de convencer uma sociedade a abraçar novos ideais, principalmente quando tais ideais estão no campo ideológico.  

A concretização das ameaças despertou os militantes de redes sociais e aqueles que nem através delas se expunham. Quando as balas começam a ricochetear de todos os lados, então os acomodados começam a despertar e lutar para não serem atingidos. A população, de um modo geral, ainda não percebeu o perigo que o governo Bolsonaro representa para o país.   

Felizmente, até os professores mais conservadores já estão se posicionando abertamente contra os desmanches e as perseguições de professores e alunos. Essa união de todos, será fundamental para derrotar o ódio e a opressão desse governo que sequer sabe a que veio.

A política de contingenciamento e o projeto “escola sem partido” é a forma que o governo encontrou para impor um único pensamento ideológico e minar a resistência contra suas políticas de retrocesso e tirania. Até uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo foi criada com o fim de desmoralizar as universidades estaduais e inaugurar um verdadeiro caça às bruxas.

Por Alvaro Santos
Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

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