Sem dignidade, Bolsonaro terminará seus dias também sem honra

Friedrich Nietzsche disse que um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos. Essa frase descreve perfeitamente nossa classe política. Já Bolsonaro, elevou sua interpretação à oitava potência. Sem dignidade, juntamente com seus filhos e ministros, estão tratando apoiadores como objetos descartáveis e a oposição como inimigos a tripudiar e eliminar a qualquer custo.

Bolsonaro parece governar o país com o regimento dos milicianos. Todos sabem que no crime organizado, os que permanecem fiéis e ainda úteis para a organização, recebem tapinhas nas costas, os que se opõe, são aterrorizados ou sumariamente executados. Não há empatia nem honra, apenas barbáries.

A família Bolsonaro, que não possui os sete alqueires bem medidos, já deu provas de sua forte relação com a milícia do Rio de Janeiro. As homenagens à milicianos na Assembleia Legislativa do Rio e as contratações de seus familiares como funcionários fantasmas em seus gabinetes políticos, não só provam seu envolvimento no comando da facção, como sua opção por uma ideologia doentia e criminosa, que formou seus ideais e deu asas à sua obsessão de governar o país da mesma forma que a milícia “governa” os bairros dominados. Um governo ditatorial, opressor e extremamente violento.

Também, durante seu discurso de campanha em Rio Branco, no Acre, onde afirmou que fuzilaria a “petralhada toda do Acre”. Como se não bastasse, recentemente teceu elogios entusiastas ao ditador Alfredo Stroessner, um criminoso, estuprador de menores que controlou o Paraguai entre 1954 e 1989. Poderíamos citar milhares de frases e atitudes agressivas da família toda que testificam tal obsessão.

A morte do Arthur Araújo, neto do ex-presidente Lula, foi uma grande oportunidade para Bolsonaro mostrar um pouco de humanidade. Poderia, pelo menos, ter emitido uma nota de pesar e respeito pela dor de seu adversário político, pois é o que os presidentes fazem quando um ex-presidente passa por um momento de perda. Mas preferiu o silêncio. Nem ao menos corrigiu o ato insano do seu filho, Eduardo Bolsonaro, que aproveitou para tripudiar o ex-presidente, como fez o pai na ocasião da morte de Vavá, irmão do Lula.

Poderia aprender com Ratinho Júnior, que, mesmo sendo adversário político do PT, nos deu uma boa lição de ética. Foi complacente ao disponibilizar o avião oficial do Governo do Paraná para que Lula pudesse ir ao velório do seu netinho. Ratinho Junior se compadeceu e respeitou a sua condição de ex-presidente. Vale dizer que, com esse comportamento, Ratinho conquistou pontos com muita gente que não aprova seu governo.    

Bolsonaro, ao contrário, só acumula dissidentes com sua truculência. Ele não tem a honra de um bom soldado. Sua ignorância e insensatez o tornaram um ser desprezível por natureza. Em cada frase falada ou escrita, via twitter, Bolsonaro é só delírio. Quase não consegue formular uma sentença sem incitar ódio ou despertar repulsa.

A família Bolsonaro tem grande habilidade em despertar o que há de pior no ser humano. Sua obsessão pela tirania, pela tortura e a morte, está encorajando e legitimando atos de violência gratuita por todo o país. As maiores vítimas, como sempre, são os negros, grupos LGBTs, mulheres, artistas, militantes de esquerda e índios.    

O Brasil está retrocedendo e não é pouco. O povo está perdendo direitos conquistados com muita luta e sangue. Não é justo que tenhamos que passar pelo que nossos antepassados passaram. Precisamos de um governo íntegro e forte, que respeite os direitos humanos e não seja um vassalo dos EUA, um subserviente das grandes corporações e do mercado financeiro, que em nada colaboram para a prosperidade da nossa gente.

Bolsonaro já provou ser um mero fantoche dessas corporações, um pulha patético e totalmente inepto. Não precisamos ser videntes para saber que seu fim será sem honra e que a história lhe reservará um espaço pífio e vergonhoso, como todo o déspota merece.   

Por Alvaro Santos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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