Após determinar comemoração do golpe de 64, Bolsonaro vai ao cinema ver filme religioso

Defensor das armas, milícias assassinas e tortura, Bolsonaro é a imagem clássica da hipocrisia religiosa. Uma religiosidade que despreza o novo testamento, para se pautar apenas nos atos de vingança e violência do antigo testamento. 

Sou teólogo e sei perfeitamente que os pensamentos e atitudes dos religiosos, como Bolsonaro, não condizem com os ensinamentos de Cristo. Tais pessoas são desonestas consigo mesmas e com a fé que dizem seguir. Usam a bíblia e a religião apenas para legitimar seus preconceitos e a violência contra aqueles que pensam e vivem diferente, principalmente contra raças e nacionalidades dissemelhantes.

Bolsonaro está criando um grande desconforto e indignação ao exigir que os militares comemorem um dos mais tristes e lamentáveis capítulos da nossa história, o golpe de 64. Só quem faz parte desse grupo de fundamentalistas mal-amados estão apoiando tal ato. Cristãos de verdade, jamais aceitariam celebrar um golpe que levou milhares de pessoas à tortura e à morte. A ditadura roubou a liberdade e os direitos do povo. Qualquer um que questionasse os abusos e a corrupção dos militares, poderia pagar com a própria vida ou até mesmo de toda a família. Nem crianças foram poupadas pelos homens sedentos por violência.

É inadmissível que “cristãos” que frequentam suas igrejas nos domingos, que cantam canções e fazem orações sobre o amor, o perdão e o acolhimento, possam sentir satisfação com a dor e a morte do próximo. Vemos igrejas inteiras, pastores, presbíteros, diáconos e fiéis, apoiando a insanidade de homens como Bolsonaro. Apoiando a liberação de armas ao invés de livros, apoiando o fortalecimento das instituições de repressão ao invés da educação.

É inaceitável que cristãos apoiem a violência contra os índios e os pobres que não têm como se defender. Uma violência covarde e absurda, que em nada se assemelha com os ensinamentos de Jesus. Sequer conseguem sentar nos bancos da igreja e fazer a velha e humilde pergunta à si mesma, “em meu lugar, o que faria Jesus”.

 Jomo Kenyatta, fundador da República do Quênia disse certa vez: “Quando os brancos chegaram, nós tínhamos as terras e eles a Bíblia; depois eles nos ensinaram a rezar; quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles as terras”. No Brasil não foi aconteceu diferente. Em nome de Deus e de Jesus Cristo, instituíram uma política de violência extrema contra os legítimos donos das terras, assassinando famílias inteiras com a bíblia na mão e a bênção da igreja. Um genocídio sem precedentes, uma ganância desmedida e incontrolável.

Deus se tornou apenas um instrumento legitimador das guerras, da tortura, dos assassinatos e dos espólios dos inocentes. A estultícia dos religiosos sem amor e sem evangelho, chancelam todos os dias esses atos de violência contra a humanidade, pequenos ou grandes.

Bolsonaro é seu ídolo, pois se parece com elas e hoje tem poder para dar forma às suas ideias insanas e monstruosas. Ele é o holograma de uma sociedade discipulada pelos programas como o do Datena, de uma sociedade machista e opressora, que odeia a liberdade das pessoas independentes e felizes, que odeiam o amor, a igualdade e o respeito às diferenças.

O mais triste nisso tudo, é saber que este filme deprimente não tem data para acabar. As pessoas continuarão frequentando seus templos, fazendo suas orações e cantando suas canções de amor e continuarão a assistir seus filmes religiosos, enquanto aplaudem a violência de seus ídolos hórridos.

Redação Carta Democrática

Foto: Vinícius Santa Rosa

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