Delinquência social: O preconceito contra os meninos e meninas da Zona Azul

Há um tempo eu escrevi um texto intitulado “Quinze Minutos”, falando da minha grata experiência ao conhecer a Fundação Futuro que cuida dos adolescentes que trabalham na Zona Azul e como esse trabalho filantrópico despertou meu interesse e admiração.

Não passou muito tempo até me tornar voluntário. Os primeiros contatos foram suficientes para que um sentimento enternecido de comiseração me incomodasse extremamente.

Ao sentar com esses adolescentes, descobri que onde muitos vêm rebeldia, há, na verdade, entorpecimento social. Seres tão jovens e já amargurados, desfalecidos em relação aos sonhos e às oportunidades.

Muitos deles pelejam contra a pobreza, tentando, precocemente, forçar o rompimento da imaturidade, pulando fases a fim de alcançar um lugar ao “sol”, mas a sociedade alienada acerca dos reais problemas sociais e, consequentemente, enfarruscada de preconceitos, tornou-se sua maior barreira, dificultando que seus sonhos se tornem realidade.

Há uma ampla discussão sobre a redução da maioridade penal. Percebo que uma sociedade preguiçosa e sem qualquer responsabilidade social tem se levantada de sua letargia humana para gritar, “mata!”, “prende!” e “manda para o inferno!”, no entanto, se recusa a despertar para prevenir que crianças inocentes sofram essa mutação social a ponto de se tornarem “monstros”.

Afirmo isso diante dos fatos que angustiam os adolescentes da fundação. Enquanto os estimulamos com palavras de confiança e otimismo, outros desestimulam com adjetivos pejorativos e comportamentos explícitos de preconceito. Os legionários da Zona Azul, como se não bastasse trabalharem debaixo de sol e chuva, vez ou outra, são obrigados a ouvir desaforos insolentes e serem tratados com desprezo por alguns motoristas e empresários.

Enquanto ouço seus depoimentos, apenas um pensamento permeia minha mente, de que os maiores delinquentes somos nós, quando os desprezamos e os repelimos com nossa superioridade, soberba e futilidades.

O que nos custa um sorriso? Um aceno? Um muito obrigado? Uma gentileza pode sulcar um   coração duro e curar o amargor, pode lhes dar altivez e confiança para voltarem a sonhar.

Não é da nossa esmola que eles precisam, é do nosso respeito!

Por Alvaro Santos

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.