Democracia e Lula livre, duas pautas inseparáveis

A bandeira LULA LIVRE está gerando polêmica entre setores da esquerda que não entendem a importância dessa luta. Para alguns, pedir a liberdade de Lula é prejudicial à imagem da esquerda, uma vez que o ex-presidente foi condenado por mais de um tribunal.

Minha opinião sobre isso é muito incisiva. Alguém que luta por democracia e justiça, jamais abandona seus líderes, condenados injustamente. Digo isso porque tal abandono provoca uma grande insegurança para os demais líderes da esquerda.

Certamente, a maior razão de se levantar a bandeira LULA LIVRE é que ela configura a luta pela democracia e a moralização dos três poderes. Lula, assim como Dilma, foi vítima de um golpe orquestrado para impedir sua volta ao poder. O processo para sua condenação foi um processo ilegal e imoral, que poderá acontecer com qualquer outro político de esquerda ou de direita que não agradar os mais poderosos.

O golpe contra Dilma e Lula, enfraqueceu a democracia e reabriu uma porta indecorosa e criminosa que precisa ser fechada. Libertar Lula é mostrar ao mundo que o povo não é idiota e não aceitará mais a violação da democracia, conquistadas a duras penas. Também não permitirá que desrespeitem os direitos humanos de quem quer que seja.    

Lula, também, não é um líder qualquer, estamos falando de um ex-presidente que mudou a forma de se fazer política no Brasil. O único presidente que olhou para as camadas mais pobres e marginalizadas. Portanto, exigir sua liberdade é, sim, um ato político, uma bandeira que precisa ser agitada.  

A profecia de Lula ganhou forma e hoje é uma realidade, o ex-presidente se tornou um ideal, o ideal de liberdade e justiça. O mesmo que aconteceu com Mandela na África do Sul, guardada as devidas proporções.

A esquerda precisa estar unida nesse momento de tensão política e social. O conjunto de forças progressistas é fundamental para a proteção do nosso Estado Democrático de Direito e das grandes conquistas da Constituição de 1988. Uma divisão e dissipação dessas forças, certamente colocará em jogo todas essas conquistas e nos levará, novamente, à estaca zero.

Bolsonaro é a mão do regime neoliberal e opressor. Um regime que tem o objetivo de explorar os pobres e destruir nossas riquezas naturais. Com a ajuda do legislativo, do judiciário e das forças armadas, o mercado financeiro e as multinacionais estrangeiras vão ganhando força em detrimento do trabalhador. A privação da liberdade de Lula é o trunfo dos nossos opressores, é sua demonstração de força. Portanto temos a obrigação de lutar e arrancar-lhes essa bandeira.

Se Lula não for inocentado, novas prisões arbitrárias poderão surgir, em continuidade a esse golpe. Posso dizer com segurança, que se enganam os que pensam que a pauta LULA LIVRE é perda de tempo ou uma pauta secundária. Não dá mais para desassociar Lula e a luta pela democracia e pelos direitos de todos.

O ódio que Bolsonaro e Doria alimentam contra Lula, visivelmente demonstrado após as últimas entrevistas do ex-presidente petista, é mais uma prova de que Lula deixou de ser apenas um político comum para se tornar um ideal, um símbolo de liberdade, justiça e prosperidade para a nação.

Vale lembrar que Bolsonaro alimenta uma obsessão tão grande em relação a Lula, que chegou ao ponto de provocar a transferência da sua namorada, Rosângela da Silva, de Curitiba para Foz do Iguaçu, a 630 km da capital. Para isso, o governo teve que transferir todos os 150 funcionários da Itaipu Binacional que estavam alocados em Curitiba. Uma clara demonstração de uma mente perturbada.

Esta ala da esquerda, cuja aspirações não passam de interesses pessoais pelo poder, está distribuindo soco a esmo. A ânsia de ganhar visibilidade e agradar os eleitores, que estão abandonando Bolsonaro, inclui um discurso carregado de críticas contra Lula e contra todos que se recusam a abandonar a bandeira LULA LIVRE. Um verdadeiro tiro no pé, pois será vista como traidora, até mesmo, por seus próprios simpatizantes.

Esses traidores, deveriam pensar melhor no que estão fazendo. Uma divisão de forças na atual situação política é um grande risco para a democracia, que já anda fragilizada e na iminência de morrer. Os novos governantes já não a respeitam mais e somente a união geral da esquerda e da classe trabalhadora poderá impedir seu fim. É bom lembrá-los que sem democracia não haverá eleições em 2022.  

Gostem ou não, Lula é a maior esperança para a esquerda, hoje. Ele pode até não ser candidato para as próximas eleições, mas sua inocência e liberdade poderá garantir a democracia e devolver o poder ao povo.  

As últimas entrevistas de Lula revelaram a força e a resiliência de um grande líder. Lula saiu vitorioso e voltou a assombrar as noites de Bolsonaro, Doria e de todos que lucram com sua prisão. O melhor, é saber que não tem mais como derrotar a pessoa Lula. Ele já venceu, já se tornou um ídolo, um mártir, ainda em vida, uma sombra que não se pode mais atingir e nem dissipar da história.

Seus inimigos sabem disso, o que se tornou um eterno tormento para eles. Sobram-lhes a vingança e a dor, para suavizar suas insignificâncias, mas nem isso estão conseguindo, pois quanto mais tentam, mais o fortalecem.

Mal sabiam que não se derrota um retirante nordestino tão facilmente. Não foi falta de aviso, de dizer que esse ódio e essa perseguição insana, só transformaria Lula em uma grande estrela à ofusca-los.

Por Alvaro Santos
Imagem: Comitê Nacional Lula Livre

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