Chacina de Colniza - Foto de André Pasquis

Em pleno século XXI, fazendeiros “colonialistas” dão show de opressão e imoralidade

Colonialismo remete ao processo de exploração e imposição de uma cultura sobre outra, com ajuda militar ou de poderes governamentais. Existem duas formas de colonialismo, o de exploração e o de povoamento. As duas formas, apesar das finalidades distintas, são realizadas pela força, dizimando os povos originários e suas culturas.

 A América do Norte foi colonizada pelos britânicos com o propósito de povoamento, de estabelecer, ali, uma nova sociedade, formada por protestantes puritanos, rigorosos com a bíblia, mas que não hesitavam na violência contra outros seres humanos.

Já na América do Sul, espanhóis e portugueses desembarcaram com o propósito de exploração, de subtrair suas riquezas naturais e minerais para comercialização. A abundância dessas riquezas, atraiu colonizadores gananciosos, individualistas e inconsequentes, dispostos a tudo para conseguirem o que queriam. Isso, somado a sede poder, fez do Brasil, uma nação de pessoas, em sua grande maioria, muito parecida com seus primeiros colonizadores. Frutos que não caíram muito longe dos pés colonialistas.   

Acredito que o comportamento humano esteja ligado ao nativismo-empirismo, ou seja, pela herança genética e pelo ambiente. Assim fica fácil entender porque grandes fazendeiros, empresários e detentores do capital financeiro, mantém os velhos hábitos e desejos de subjugar os, economicamente, mais fracos, como fizeram os ambiciosos colonizadores. Também explica como alguns dos imigrantes europeus, pós-abolição, se ajustaram, culturalmente, aos mesmos maus hábitos.

Com esta premissa, temos a certeza de que a cultura colonialista de exploração humana, corre livre no sangue dos grandes fazendeiros grileiros. Para quem não conhece o termo, grileiro é a pessoa que toma posse de propriedades alheias, fazendo uso de títulos falsos. Muitas dessas ações de grilagens, custaram a vida de homens, mulheres e crianças, que foram mortos na defesa de suas terras e de suas famílias.

Essa velha prática, continua em pleno século XXI, com maior intensidade em áreas protegidas e nas terras indígenas. No governo Temer, bem como nos primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro, que por diversas vezes fez discursos hostis contra a demarcação das terras indígenas, os assassinatos contra índios, recrudesceu em números estarrecedores.  

As fronteiras agrícolas estão avançando com as práticas de grilagem, devastando, com seus correntões da morte, as florestas e savanas das áreas de proteção ambiental. Estão acabando com a biodiversidade e atingindo, significativamente, a qualidade de vida das comunidades locais, comunidades essas, importantes para a preservação e a sustentabilidade das florestas. Só em Rondônia, para se ter uma ideia, a Ti Karipuna, homologada em 1998, já contabiliza mais de 10 hectares de floresta desmatada pelos madeireiros. 

Hoje, esses fazendeiros são responsáveis por 65% do desflorestamento das áreas protegidas pelo Estado. Sua falta de empatia com o semelhante, provoca a morte e o trabalho escravo dos pobres indefesos. Enquanto políticos, com dedos cruzados nas costas, apregoam discursos demagógicos, dizendo que estão avançando nas políticas de proteção ambiental e dos povos em situação de vulnerabilidade, o colonialismo histórico continua avançando.

As políticas agrícolas e ambientais do novo presidente da república, impelido pela bancada ruralista, intensificou o avanço exploratório, gerando maior proteção aos fazendeiros criminosos e celeridade nas invasões. É o desenho de um futuro sombrio e assustador para o Brasil, em especial para o meio ambiente e para as comunidades que vivem da floresta.  

Para começar, Bolsonaro extinguiu o Ministério do Meio Ambiente, passando a pasta para o Ministério da Agricultura. Uma incongruência e despropério de um governo totalmente inconsequente.   

Para se ter uma ideia, a ministra da agricultura de Bolsonaro, Tereza Cristina, anunciou, ontem, a escolha do deputado federal Valdir Collato (MDB-SC) para comandar o serviço florestal brasileiro. A indicação partiu da bancada ruralista.

Valdir Collato sempre lutou em favor do desflorestamento das áreas ambientais protegidas, contra a lei que obriga proprietários de terras a preservarem uma pequena área, para manter o equilíbrio ambiental, e pelo fim da demarcação das terras indígenas. Podemos dizer, sem ironia e com muita indignação, que o novo governo está colocando as raposas para cuidar dos galinheiros.

Infelizmente, protegidos por autoridades políticas, e pela falta de divulgação das grandes mídias, que recebem milhões em patrocínio do agronegócio, fazendeiros criminosos se mantêm impunes e nada sofrem diante da opinião pública.

Aqueles que deveriam proteger as áreas de preservação e os pequenos e indefesos proprietários de terras, bem como os povos indígenas, autóctones da nossa nação, preferem acobertar os mais ricos, pois são eles quem patrocinam campanhas eleitorais e têm dinheiro para comprar sentenças judiciais e calar a grande mídia. Com dinheiro fácil, concedido pelos benefícios facilitados do governo, conseguem bancar campanhas milionárias e colocar seus representantes em todas as esferas políticas. Assim, conseguem negociar perdão de dívidas e leis que favoreçam suas manobras criminais.

Feliz 1530 com recheio de 1964.

Chacina de Colniza - Foto de André Pasquis
Chacina de Colniza Foto de André Pasquis
Por Alvaro Santos

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