Um Feliz Bolsonaro Novo à Todos

Sinto medo do que vem por ai. E se baseia na ideia de refundar a nação sem base empírica. Estou a dizer que o novo Governo, apoiado no capitalismo, calcado na ideia de que lucro gera o desenvolvimento, se auto intitulando de direita, repele a ideia de esquerda fincada em uma social democracia.

O movimento do “escola sem partido”; retração dos direitos dos trabalhadores e movimento policialesco em torno do professor na sala de aula projeta bem essa refundação. Meu medo não é o da guinada, mas sim, da ignorância – falta de conhecimento – em se saber o que é governo de esquerda ou de direita.

Guardo a frase de efeito de Bolsonaro “mais direitos menos emprego” e outras de seus adeptos “bandido bom é bandido morto”, pregação do medo. Sinto medo porque não foi o pensamento autoritário desse governo que se instala, e à força imporá uma nova ordem. Não. Foi a democracia que o colocou lá, por meio do povo, e receio que esse mesmo povo tenha capacidade de reversão.

Me arrisco dizer que não nos preparamos para a nova ordem. Duas revoluções básicas se instalaram com a globalização e não nos demos conta do caos. A automação e a comunicação online interativa são parte disso.

Por exemplo, a menos de duas décadas em um escritório de contabilidade era necessário dezenas de empregados para gerir o guarda-livros. Hoje o contador e mais um conseguem a mesma produção. Um talhão de cana-de-açúcar exigia mão-de-obra-dia de centenas de trabalhadores e hoje uma colhedora com um operador realiza o mesmo trabalho em poucas horas.

Nesses dias, solidariedade é o que menos importa e individualismo é o que prevalece. Primeiro eu e os meus, depois o resto. Vejam o exemplo dos juízes em alguns estados que insistem em continuar com auxílio moradia, transportes e outros penduricalhos enquanto milhares estão sem emprego e nas ruas, morrendo de fome.

Nas redes sociais é recorrente a imagem de um cachorro maltratado enquanto se vê milhares de seres humanos mendigos reclamando um pedaço de pão, sem a mesma indignação nas redes sociais.

Que geração é essa que não se deu conta que o bandido morto é o mesmo que já não tem mais o posto de trabalho no corte de cana. Que geração é essa que não se deu conta que não adianta ter direitos trabalhista porque seu posto de trabalho no escritório não existe mais, afinal o computador faz tudo sozinho.

No entanto, não quero tirar a esperança de ninguém, se esperança é a única coisa que resta para milhares de brasileiros que por ignorância, falta ou oportunidade de conhecimento, não se prepararam para os novos tempos. 

Ivan Décio Serra – Advogado

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