Ponto de Cultura Galpão Cultural: um espaço necessário

Para que poetas em tempos de terrorismo? Qualquer tentativa de falar sobre Cultura hoje, merece que o feito seja uma narrativa reflexiva: pensar sobre o que pensamos. Por isso, e parafraseando o livro do poeta Alberto Pucheu, acrescentemos: Para que Cultura em tempos do fim de seu Ministério? Para que e o que é o Ponto de Cultura Galpão Cultural de Assis?

O Ponto de Cultura Galpão Cultural trata do complexo, do poético, do intensivo, do que não se pode resumir a uma só possibilidade. Mais do que uma alternativa para coletivos artísticos, desde 2006, o Galpão Cultural permite uma abertura de possibilidades, um quase impossível que se materializou e resiste por meio dos afetos, dos pensamentos, da vida, das ações de inúmeras pessoas conectadas em torno da vontade de criar e se recriar.

Localizado ao lado da linha férrea, ali onde passava o trem, o Galpão é, além de tudo, um Lugar/Personagem, um prédio colorido que apresenta uma trajetória de lutas, de grafites que aparecem e desaparecem, de parcerias de vem e vão, de problemas com a estrutura, de espaço para belíssimas canções, gostosíssimos almoços e jantares, performances admiráveis, de chapéus que retornam a cada apresentação, de acolhimento a alteridade e de gestão coletiva.


Ensaio fotográfico

Em sua trajetória, o Galpão Cultural tem se configurado como um dispositivo concreto de fortalecimento cultural e artístico no município de Assis. Através da manutenção de um espaço aberto ao público da cidade, se fortalece um espaço onde as pessoas, com suas diferenças, possam se encontrar, conviver, estabelecer contatos, fazer contratos e aprender a viver e gerir um espaço comum.

Por sua localização estratégica, Assis é uma cidade de encontros e de passagem entre o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, assim, o Galpão preserva essa característica de ser um local de encontros de artistas do interior de São Paulo, assim como um espaço para acolher artistas que estão em constante movimento pelo país.

Ensaio Fotográfico

Durante os seus mais de 12 anos de existência, o Galpão Cultural reformulou seu modo de operação e hoje é mantido pela CIRCUS – Circuito de Interação de Redes Sociais, Organização Não Governamental fundada em 2001, que tem como missão social gerir com a comunidade ações para a administração coletiva de questões relacionadas ao município, com o objetivo de intensificar as ações de controle social sobre as políticas públicas.


Apresentação da peça de teatro Vidas Secas companhia ítalo-brasileira Caravan Maschera Teatro

Entre as ações desenvolvidas no Galpão, estão as atividades de formação como a Biblioteca Comunitária, o Projeto Leia Mulheres, Oficinas Culturais de Capoeira Angola, Capoeira Regional, Yoga, Teatro, Malabares, Maracatu e Percussão; atividades de difusão cultural, como o Encontro de Palhaços, a Mostra O Lixo, Festa Junina, Feira Literária, exibições cinematográficas, cortejos de rua, rodas de conversa e; atividades de intercâmbio, como a vinda de artistas e produtores culturais de outras localidades, tanto no intuito de debater a produção artística onde está inserido, quanto para realizar apresentações e workshops.

Nessa direção, as próximas atrações são a Oficina de Butô, promovida pelo Núcleo Experimental de Butô, entre os dias 28/01 e 01/02 e a apresentação do Espetáculo “A princesa e a costureira”, do Teatro da Conspiração, no dia 16/03.

O Galpão Cultural, além das atividades oferecidas, abre espaço para pessoas e grupos independentes, que desenvolvem seus projetos e atividades no local e divulgam seus trabalhos – grupos musicais, de teatro, circo, dança, entre outros.

O espaço se mostra então como um lugar que agrega diversas manifestações artístico-culturais, contribuindo para a manutenção e fortalecimento de diferentes coletivos e para a disseminação da cultura local.

II FLIA Mulheres (Feira do livro Assis)

Assim, situa-se o Galpão Cultural, em movimento e constância, numa dimensão política que deve ser vista, visitada e partilhada. Da importância dos corpos na dinâmica de gerir um espaço que se pretende público, respondemos as questões inicias desse texto: Sim, nosso tempo é também de poesia, de cultura e de afetos! Serão escritos em nosso tempo, sobre o nosso tempo com a mais alta relevância para o nosso tempo!

O Galpão Cultural se estabelece como um lugar das problemáticas que vivemos, mas como um lugar possível com o poder de aproximar as pessoas para práticas mais que necessárias. Mesmo admitindo um fazer imensamente difícil, acreditamos que a arte e as práticas coletivas sejam uma tentativa de nos livrar das tragédias do nosso tempo.


Espetáculo Cabeça de Nego de João Artigos (7º Encontro de Palhaços)

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Por Priscila Sales e Dayane Calçado

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