Ver. Gordinho da Farmácia pede oração para afugentar espíritos brigões da câmara municipal de Assis SP.

Nem os “espíritos” foram poupados nos escândalos protagonizados pela Câmara Municipal de Assis. Segundo declaração do vereador Gordinho da Farmácia, parece que os vereadores estão precisando de uma sessão de descarrego para expelir os “espíritos malignos”.

Ao final da sessão ordinária da Câmara Municipal de Assis (19/11/18), o citado vereador, solicitou ao presidente, Eduardo de Camargo Neto, que a oração final fosse dirigida aos próprios vereadores, por estarem sofrendo influência de espíritos malignos. Disse: “Sabemos que os ânimos estão um pouco alterados nessa casa de lei, se for possível, esse Pai Nosso, se vossa excelência permitir, que seja voltado pra nós, porque tem uma briga espiritual muito grande em cima dessa casa de lei. Pessoas não estão se intendendo um com o outro”.

O ser humano não precisa se esforçar muito para apontar culpados com a finalidade de escapar das consequências de seus atos. É próprio da raça! Agora, apontar o dedo para quem não está aqui para se defender, é covardia. Espíritos não costumam aparecer para se defender de acusações, nem sob condução coercitiva.

Seria razoável que a fala do referido vereador fosse apenas uma expressão idiomática, mas o contexto, infelizmente, mostra que não. Jogar o problema para o mundo metafísico é próprio dos vacilantes, dos que não têm mais onde se segurar.

Nenhum vereador escapou das acusações suscitadas em 2018, nem mesmo o prefeito José Fernandes. A denúncia de participação de vereadores em esquemas na suposta “fábrica de multa”, denunciado pela ex-servidora pública, Alessandra da Silva e um suposto recebimento de propina, no valor de 150.000,00 para aprovação da renovação contratual com a SABESP, “confessado” por um dos vereadores, Nilson Pavão, parece ter aberto os portões da cidade dos “anjos caídos” e assustado o Gordinho da Farmácia.

Em referência à suposta propina, o Ver. Carlos Binato pareceu mais cético em relação aos “espíritos malignos”. Consciente da imanência dos fatos, sugeriu uma denúncia formal ao Ministério Público. Outros vereadores, por constrangimento ou não, apoiaram sua sugestão.

Agora nos basta esperar para ver quem esclarecerá primeiro esses fatos, se o Ministério Público ou os “bons espíritos”. Como o poder público deve sempre respeitar o Estado laico, o que não acontece nessa casa de leis, esperamos que seja o MP a promover a responsabilidade criminal dos envolvidos, doa a quem doer!

Somente a justiça humana terá o poder de aplacar a inquietação da sociedade e afugentar os espíritos brigões que rondam a casa de lei.

 
Por Alvaro Santos

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