Fundadora da marca Inoar, Inocência Manoel, diz como a história de José do Egito pode motivar empreendedores a superar suas dificuldades

Todo empresário, todo empreendedor é um visionário. Tem sonhos. Sonhos muitas vezes inspirados em exemplos, em trajetórias. José é um dos exemplos que me inspiram. Sobre esse personagem bíblico, que tem muito a nos dizer, mesmo num mundo que fala em “zettabytes”. Mas, “a água pura ainda está na fonte.”

José, filho de Jacó (ou Yaakov em hebraico), tinha 10 irmãos mais velhos que ele: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulon, Dã, Naftali, Gade, Aser, e um mais novo, de nome Benjamin. Saindo da infância José teve um sonho: cada um dos irmãos tinha um grande fardo de milho que estava amarrado com uma corda. Estas cordas se rompem e formam um grande círculo ao redor de seu fardo de milho. Um a um os fardos se dobram reverenciando o fardo de milho de José.

Em outro sonho, tempos mais tarde, José vê onze estrelas vindo do céu em espiral para se enfileirar diante dele. Depois desceram o Sol e Lua e se posicionaram em frente às estrelas. Todos aqueles astros reverenciaram a José. Os irmãos já irritados com o primeiro sonho agora odiavam a José, principalmente porque ele também era o filho preferido de Jacó, homem próspero e muito respeitado na “terra de Canaã”.

Em determinado momento Jacó mandou os filhos, exceto José e Benjamin, para um lugar onde o pasto era mais farto ao rebanho de ovelhas. Passados alguns dias Jacó manda José verificar se estava tudo bem com os filhos. Ao verem José, os irmãos entendem que o mesmo estava ali para vigiá-los e naquela oportunidade, distante da proteção do Pai Jacó, eles resolvem se vingar de José. Primeiro, tiram a túnica e jogam em um buraco escuro. Enquanto decidiam o que fazer com o irmão mais novo avistaram uma caravana de mercadores e venderam José. Voltando para casa os irmãos mentem a Jacó dizendo que José havia sido atacado por animal feroz. Com a túnica ensanguentada Jacó chorou por longos dias e entristeceu sua alma pela perda do filho que tanto amava. Daí que sua túnica era diferenciada e sobressaía a dos irmãos.

José, por volta dos 17 anos, foi vendido como escravo no Egito. Agora, distante da família e assustado, movia-se por uma única certeza, Deus o protegeria, lhe concedendo êxito em tudo que realizasse. Esta é uma das mais belas histórias de superação. Não tenho como traduzir tamanha riqueza de narrativa, mas resumirei pelo fato da história de José nos revelar a grandeza/luz por trás de experiências aparentemente destruidoras.

Comprado por Potifar, chefe da guarda pessoal do Faraó, José vai trabalhar nos campos deste, que se tornaram muito férteis. Logo Potifar percebe que José era disciplinado, então, o transfere para assumir as tarefas de administração da casa. José torna-se um homem belo e forte, o que atrai os olhares da mulher de Portifar, que insistentemente seduzia José. Diante das constantes negativas, ela arma uma situação onde alega que José havia tentado abusar-lhe sexualmente. Com tal calúnia, Portifar manda prender José, que mais uma vez não compreende porque estava passando aquela dificuldade se era um fiel servo de Deus. Mas, tudo tinha um significado. Aliás, situações aparentemente difíceis são as que nos revelam mais luz se lermos os fatos com sabedoria divina.

Mesmo na prisão José conquista a simpatia de muitos. Conhece o padeiro e o copeiro do Faraó. Em determinado momento, estes lhe contam um sonho e o mesmo interpreta de modo profético. O copeiro acabou voltando para atender à casa do faraó. Passaram-se dois anos e nada de se lembrar de José. Certa noite o Faraó teve um sonho, que mesmo os conselheiros e sábios do templo não conseguiam interpretar. Então, o copeiro se lembrou de José e o Faraó manda buscá-lo, e conta-lhe o seguinte sonho: “Vi sete vacas gordas e belas. Depois vi sete vacas muito magras e esqueléticas. As magras comeram as gordas. No outro sonho, vi sete espigas cheias e maduras numa só haste. Depois, vi sete espigas finas e murchas. E as espigas finas começaram a engolir as sete espigas boas.” José diz ao faraó que os dois sonhos significam a mesma coisa. As sete vacas gordas e as sete espigas cheias significam sete anos de abundância, e as sete vacas magras e as sete espigas finas significavam outros sete anos de escassez, pois sem chuvas às culturas não cresceriam.

José aconselha o Faraó que escolha um homem inteligente para coordenar as ações pelos próximos anos de fartura, com a tarefa de coletar o excedente e armazenar alimentos, planejando para os sete anos subsequentes onde não haveria comida. O Faraó concorda com José e o nomeia para Governador do Egito, dizendo-lhe (Genesis 41): “Eu sou o Faraó, mas sem tua permissão ninguém erguerá a mão ou pé para dar um passo em toda a terra do Egito!”. José, por imposição do Faraó, passa a chamar-se Zafenate-Paneia (Genesis: 45).

A história de José é uma história de superação. Cotidianamente os empresários, de diferentes tamanhos, são desafiados. E muitos não suportam a pressão. Não posso falar da história de outros, mas há muito enfrento batalhas em minha escolha de empreender. Passados quase 40 anos, de trabalho duro e muito empenho, temos colhido alguns frutos no último triênio. Para 2018, há grande expectativa para empresa no reconhecimento da ANVISA no uso de #ácidoglioxílico na função alisante. A INOAR é pioneira no mundo no uso de #ácidoglioxílico como alisante, ação que revolucionou a cosmética capilar, desencadeando uma guerra de patentes, algumas ainda sob júdice.

O sucesso dos produtos e crescimento constante, mesmo em cenário de crise, evidencia que estamos no caminho certo e que Deus vem cumprindo sua promessa. Os detalhes poderão ser lidos em artigo publicado no Linkedin/inoar.

Resultado de muito trabalho e dedicação, minha, de meu filho Alexandre Nascimento, e principalmente de minha equipe, nas fábricas, escritórios, além dos representantes comerciais, promotores, blogueiras(os), entre outros parceiros. A INOAR, hoje, está presente em 42 países.

Quantas noites sem dormir! Quantas momentos com a família deixados de lado para realizar meu sonho! Quantas lágrimas! Quantos momentos de solidão porque poucos entendem nossas escolhas!. Nesse processo somos humilhados, caluniados, taxados de fracassados. Sofremos todo tipo de difamação, muitas vezes por parte daqueles que estão mais próximos, os quais sempre tentamos ajudar/compartilhar.

Em meio a tudo isso sempre ouvi, como se fosse um sopro, “Seja forte e corajosa, não fique desanimada, nem tenha medo, porque eu, o SENHOR, seu Deus, estarei com você em qualquer lugar para onde você for!” (Josué 1:9). Tal certeza era o combustível para continuar.

Quase inexiste incentivos de créditos e financiamentos para pequenas e médias empresas no Brasil, que representam 96,3%, segundo últimos dados do IBGE. Daí que a luta é realmente dura. O desejo dos empresários é ter lucro, mas sua missão é (ou deveria ser) gerar renda e ocupação. Somos responsáveis pela garantia do sustento de funcionários e suas famílias. Não temos como vacilar nem hesitar. O descuido na gestão do negócio pode quebrar uma empresa e jogar a vida de muitos, direta, e indiretamente, na linha da angústia e desespero, pela dificuldade em manter suas despesas, além da incerteza do alimento e bem-estar aos seus familiares. Justamente aí reside a importância da missão de José. Garantir alimento e cuidar para que a população não passasse fome. Tal grandeza de missão não poupou José da ira e inveja dos irmãos.

Preliminarmente, tiro as seguintes lições:

1ª – O trabalho – Só o trabalho responde às ações de difamação e humilhação. Trabalho com excelência. Assim, fez José nos campos, na casa de Potifar, na prisão. Sempre fez as tarefas que lhe foram designadas, com competência, ou seja, aproveitou todas as situações. Não perder tempo com lamentações.

2ª – Fé – Diante de tantas adversidades, José não cedeu à depressão, ao desânimo e não desistiu de seus sonhos porque sabia que Deus é fiel na sua promessa. Sempre foi otimista.

3ª – Revelações – Não se precipitar diante de situações complexas, incompreensíveis a primeira vista. Tudo o que nos acontece tem algo a nos ensinar, nos revelar.

4ª – Projeto – Preste atenção com quem dividir seus sonhos. Divida somente com aqueles que podem somar. Outros, além de invejá-lo, certamente tentarão destruir seu projeto.

5ª – Honestidade, retidão – São valores de caráter que determinam nossas escolhas.

E, talvez a grande lição, trabalhar de forma dedicada, comprometida, realizando com lealdade e determinação, dando o melhor de si para as tarefas e oportunidades que a vida nos propicia. José transformou o infortúnio das experiências negativas em bênçãos. Pessoas como José tem uma fé inquebrantável e jamais desistem de lutar. São invencíveis.

Uma situação que causou muitos males à vida de uma família inteira, agora revelava sua luz. Estava cumprida a promessa de Deus na vida de José. Ele talvez não seria governador do Egito se não tivesse vivido a experiência com os irmãos. Alguns leem isso com a tosca frase, “Deus escreve certo por linhas tortas”. Deus não escreve nada. Nossas ações determinam os caminhos e Deus só diz sim, pois nos deu o livre arbítrio. Devemos abençoar aqueles que nos “fazem o mal”, porque nossos inimigos acabam sendo nossos maiores mestres. Eles nos ensinam a ficar sempre alerta, nos tiram da zona de conforto e nos desafiam a ser fortes. As batalhas são constantes.

E num país com tantas desigualdades e desincentivos, para falar o mínimo, a persistência e a confiança são o processo de lapidação que nos fortalece na busca de nossos objetivos. Nos inspiramos em grandes líderes para inspirar outros no nosso cotidiano. Inspiração é tudo aquilo que faz o coração bater mais forte; é o que nos faz arriscar – lembrando que ninguém é capaz de escolher sem medo; é o que nos permite experimentar, descobrir novos caminhos, inovar, evoluir e ser. Sem isso, vivemos para comer, dormir e atender uma “programação social” que nos automatiza, desumaniza e nos impede de sonhar.

Há muito, queria ter falado de José, sempre a me inspirar. Sua trajetória evidencia que nossas ações podem ser corrigidas. No caso dos negócios, da vida profissional, temos que identificar onde e como estamos; posicionar e/ou reposicionar; definir/redefinir nossos objetivos. A vida é um processo dinâmico. Tudo está em movimento o tempo todo e tudo dependerá de nosso sonho e de nossa fé.

Se tiver mais um tempinho, ouça a música “Tente outra vez” de Raul Seixas

Inocência Manoel – Fundadora da INOAR Cosméticos

 

 

Por Inocência Manoel

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