Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Marcelo Freixo protagoniza cena memorável no Congresso Nacional

Nesta terça-feira 12/03, uma cena épica protagonizada pelo Deputado Federal Marcelo Freixo me remeteu a uma outra cena, a do filme Tropa de Elite 2, onde o personagem Tenente-Coronel Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura, faz um discurso na Alerj, denunciando uma organização criminosa composta em parte, por políticos das diversas esferas do poder.

A cena do filme produziu uma profunda e silenciosa euforia no público que lotou os cinemas de todo o país. Uma sensação momentânea de justiça e esperança. Acho que foi isso que Marcelo Freixo e demais parlamentares da esquerda, que usaram parte do seu tempo, fizeram-me sentir. Só que desta vez não era ficção.

Freixo subiu na tribuna do Congresso e lavou a alma de muita gente. Denunciou, com resoluta retórica, o ódio propagado pela extrema direita e seus asseclas contra pessoas e instituições que representam e defendem a democracia e os direitos humanos. “A morte de Marielle, é a morte da democracia” afirmou o Deputado.

Freixo reafirmou seu discurso de quando presidiu a CPI das milícias no Rio em 2008, dizendo que “crime, polícia e política não se separavam mais no Rio de Janeiro”. A questão incisiva e central da sua fala passou a ser sobre quem mandou matar Marielle, deixando claro que os partidos de esquerda, os movimentos sociais e grande parte do povo, continuarão cobrando respostas das autoridades. As faixas com escritas “Quem matou Marielle” serão agora substituídas pelas faixas “Quem mandou matar Marielle”.

Marcelo Freixo provocou reações e sentimentos diversos dos deputados e deputadas que estavam no plenário. Os contrários ao seu discurso reagiram com ironia e desprezo enquanto outra parte, aplaudia com entusiasmo e admiração.

Referindo-se aos recém-eleitos Deputado Estadual Rodrigo Amorim (PSL/RJ) e ao Deputado Federal Daniel Silveira (PSL/RJ), que quebraram a placa feita em homenagem a Marielle, disse: “Um conjunto de músculos não é suficiente para fazer alguém grande. É preciso ter dignidade e dignidade não se arruma em academia de ginástica. É fácil rasgar uma placa com o nome de Marielle, difícil é ter a história que Marielle tem de vida”.

Dirigindo-se aos que ironizavam seu discurso, ressaltou: “A história será implacável com os medíocres de plantão. Marielle morta, já é muito maior do que vocês conseguirão ser qualquer dia”.

O Deputado Federal Bibo Nunes (PSL/RS), desejoso por alguns minutos de fama, foi até o microfone, que estava aberto, para provocar e tumultuar o discurso do deputado. Sendo reprendido por colegas do plenário e pelo próprio Freixo. Um momento que também remeteu ao filme Tropa de Elite 2, em que o Deputado Fortunato, chefe da organização criminosa, tumultua o plenário no momento da fala do Tenente Coronel Nascimento. Aristóteles disse que a arte imita a vida, mas aqui aconteceu o contrário, a vida é quem imitou a arte.   

Em resposta a afronta de Bibo, Freixo foi original e portentoso. Sua réplica me arrebatou e quase me fez pular com gritos de euforia. Foi histórico, foi corajoso e inspirador. “Eu quero dizer para o senhor, que não adianta se comportar como capitão do mato, não adianta se comportar como feitor, não adianta se comportar como escravocrata, sabe por que, deputado? Porque os escravos, o senhor não achará mais, o senhor não achará mais os açoites, o senhor ficará sozinho com o chicote na mão. Quando o senhor procurar os escravos, o senhor achará as Marias, as Mahins, as Marielles e os Malês… Porque eles não estão mais disponíveis para sua barbaridade”.

O discurso de Freixo foi emoldurado por palavras lúcidas e igualmente inspiradoras de outros parlamentares. Dep Áurea Carolina (PSOL/MG), Dep. Maria do Rosário (PT/RS), Dep. Talíria Petroni (PSOL/RJ), Dep. Ivan Valente (PSOL/SP), Dep. Fernanda Melchionna (PSOL/RS), Dep. Gleisi Hoffmann (PT/PR), Dep. Benedita da Silva (PT/RJ) e o Dep. David Miranda (PSOL/RJ).

Foi um dia memorável e revigorante, que reascendeu a esperança e a democracia, tão fragilizada pelos ataques contínuos dos poderosos egoístas e gananciosos que governam este país. O Brasil pôde ver que ainda há homens e mulheres de valor na política brasileira. Pessoas que se postam com coragem e determinação, numa luta contra o fascismo, a intolerância e a injustiça.

14/03/2019

Por Alvaro Santos
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

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