O “Gigante” acordou e reinaugurou o fundamentalismo opressor

O Brasil está protagonizando cenas lamentáveis de abusos e inconsistências. O mundo todo se pergunta porque um país que estava se destacando mundialmente e em pleno desenvolvimento econômico e social, decide, por questões ideológicas, retroceder e recriar o caos social.

O avanço das ideias retrógradas e ultraconservadoras de um grupo tresloucado, nem um pouco preocupado com o bem-estar social e econômico do país, está levando o Brasil para o fundo do poço. A eleição de Bolsonaro deu forma para essas ideias. Despertou o gigante da idade das trevas que estava adormecido e reprimido. Esse gigante, na realidade, está se personificando no novo Estado que Bolsonaro e seus asseclas pretendem consolidar.

Vale tudo em nome de uma fé doentia e de um moralismo hipócrita e sem sentido. O mercado, em troca da aprovação da Reforma Trabalhista, da Reforma da Previdência e outros projetos que favoreçam as grandes corporações, permite que o lunático do Bolsonaro e sua trupe, se divirtam nas redes sociais e extrapolem na violência para implementar um Estado fundamentalista.

O que o mercado ainda não percebeu, provavelmente levado por uma cegueira provocada pela ganância, é que no final das contas, todos perdem. A implantação de um Estado fundamentalista não produz nada além de cercear a liberdade de seu povo e promover grandes conflitos internos. Isso reflete em todas as áreas, inclusive na economia.

Para tal intento, o novo governo “medieval” está promovendo uma cruzada contra a educação, cultura e as instituições sociais que formam a base de uma sociedade próspera e feliz. Depois da posse de Bolsonaro, ONGs, grupos culturais, professores e alunos se tornaram alvos constantes da truculência do Estado. Verbas sendo cortadas e policiais invadindo escolas para ameaçar alunos e professores é apenas o início.

A professora Camila Marques, do Instituto Federal de Goiás, foi uma das vítimas dessa truculência. Por filmar a ação ríspida de policiais civis contra seus alunos, Camila foi algemada e presa arbitrariamente. Não havia nenhum motivo aparente para a polícia agir daquela maneira com os alunos e sua professora. 

A cruzada contra a educação, promovida pelo governo, tem como objetivo combater o marxismo cultural e a ideologia de gênero. Uma justificativa ridícula e sem sentido.

Como se não bastasse, Bolsonaro e Paulo Guedes, tentam, através de proposta de lei, desvincular os recursos constitucionais da educação. A ideia é desestruturar e sucatear ainda mais a escola pública a fim de validar seus argumentos para sua privatização. As vinculações constitucionais obrigam o poder público a um patamar mínimo de investimento para as áreas da educação e saúde.    

Outro contrassenso de Bolsonaro é seu decreto que põe fim aos conselhos sociais, que tinham a função de integrar a sociedade civil nas discussões do governo, é outro passo do “gigante” para se distanciar ainda mais do povo e facilitar a implantação desse sistema ideológico unilateral e tirânico. Quanto menos democrático o Estado se tornar, maior a probabilidade de sucesso para os planos macabros do “gigante”.

Dentre os conselhos extintos, está o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade); de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos; de Erradicação do Trabalho Escravo; de Erradicação do Trabalho Infantil; de Transparência Pública e Combate à Corrupção; dos Direitos do Idoso e de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de LGBT.

São apenas dois meses e meio de governo, mas o retrocesso e o prejuízo econômico já são colossais. A política ideológica de Bolsonaro está colocando em risco as exportações de alimentos para os países árabes, principalmente a proteína halal, categoria comercial que mais cresce no mundo. É um mercado de 1,8 bilhão de consumidores muçulmanos, nossos maiores compradores. 

Sua obsessão, desnecessária, para transferir o consulado brasileiro de Tel Aviv para Jerusalém, está rendendo atritos na relação com os Palestinos e países árabes. Desde a fundação do Estado de Israel o Brasil se manteve neutro diante dos conflitos entre judeus e mulçumanos. A transferência do consulado colocará um fim a essa neutralidade, pois assim, o Brasil estará reconhecendo Jerusalém como capital israelense.   

A ideologia religiosa fundamentalista é um cancro para o mundo. Os países que mais prosperaram e, hoje, se orgulham de possuir uma sociedade mais igualitária, pacífica e feliz, foram os países edificados sob uma ideologia laica, que investiram pesado em educação, saúde e cultura.    

A religião, por ser inflexível e dogmática, nunca ajudou no desenvolvimento de qualquer nação, principalmente no Brasil, onde temos uma pluralidade cultural e religiosa muito diversificada. A religião, quando imposta, só produz caos e violência. Um governo precisa entender que só a laicidade, ou seja, o respeito à liberdade religiosa e cultural, poderá promover lucidez, paz e concentração de energia no que realmente é importante para o bem-estar de uma nação.

A falta de conhecimento, informação e discernimento, levou boa parte da população a acreditar em mentiras fantasiosas como a de uma ameaça comunista e de uma ditadura gay. A campanha criminosa de Bolsonaro, através de milhares de robôs, que espalharam fake news nas redes sociais, criou pânico nas mentes dessa gente.

Bolsonaro se aproveitou da religiosidade das pessoas para ganhar a eleição. Quando um candidato não tem propostas concretas, nem força de governança, apela para o abstrato religioso, uma vez que, segundo pesquisas, a maioria da população acredita que, para melhorar a vida, vale mais a oração e fé que o trabalho e uma boa gestão.

Por Alvaro Santos

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.