O governo mente e os cegos aplaudem

William Shakespeare, em sua peça Rei Lear, escreveu que neste mundo os loucos guiam os cegos. A frase é do início do século XVII, mas descreve perfeitamente a realidade da política brasileira de hoje. Os loucos estão no poder e escumam por mais domínio e riqueza. Para isso, oprimem e roubam o povo, que deveriam proteger.  

Seus crimes começam no campo da política, de forma sutil, criando e alimentando mentiras para enganar a população. A criminalização e os ataques contra a educação e a cultura, são atos que garantem a continuidade da reprodução de uma nação de cegos adestrados. As mentiras e as propostas inexequíveis se tornaram armas poderosas e inconsequentes contra o desenvolvimento do país.

No campo da educação, as instituições educacionais e os professores estão sendo demonizados e criminalizados por uma campanha baixa e sórdida. Aqueles que merecem maior valor e respeito, estão sendo massacrados e reduzidos a uma posição de inferioridade.

O jogo é produzir descrédito às instituições, desenhando um quadro medonho de que professores são doutrinadores comunistas, que querem desvirtuar nossos filhos e construir uma sociedade sem valores, questionando a família e a fé espiritual. Que os alunos são vagabundos, fumadores de maconha e promíscuos.

Como se não bastassem as injúrias criminosas, o governo, através de uma cruzada contra a educação, está promovendo o sucateamento das instituições através dos cortes de verbas. O intuito é enfraquecê-las para dar lugar às grandes empresas do setor privado, àquelas que financiam as campanhas dos políticos e enchem seus bolsos com generosas propinas.

Só para ter uma ideia, o contingenciamento milionário de João Dória, alinhado à política ultraliberal de Paulo Guedes, tirou do custeio das universidades públicas de São Paulo, a UNICAMP, USP e UNESP, mais de 170 milhões de reais neste ano. O corte agravará ainda mais a situação dessas instituições, que não vivem num bom momento. A UNESP, por exemplo, sequer conseguiu pagar o 13º salário de 2018 dos servidores estatutários.

Na saúde, a mentira trouxe enormes danos à população pobre e marginalizada pelo poder público. Com grande petulância e desfaçatez, o governo Bolsonaro, para ganhar apoio popular e expulsar os médicos cubanos do Brasil, vestiu a máscara do cinismo e se tornou, do dia para a noite, defensor dos direitos trabalhistas desses profissionais “oprimidos” pelo regime castrista. Boa parte da população acreditou e aplaudiu seu falso altruísmo que prejudicou o programa mais médicos, deixando milhares de famílias sem acesso à saúde.

Com a alegação da necessidade de avaliação da formação do quadro médico brasileiro, em 2017, por reinvindicação da classe médica, o governo impõe moratória de 5 anos para a abertura de novos cursos. Mais do que pensar na qualidade da formação profissional, está o interesse em ajudar a classe a aumentar suas remunerações e se manter num status privilegiado da sociedade.

A população também está perdendo com o enfraquecimento dos bancos estatais. A campanha que o governo promove contra os bancos públicos é a mesma que promove contra as universidades. O objetivo é produzir um verdadeiro desmonte para se conseguir apoio popular para privatizá-las.

A falta de informação e de compreensão, quanto a importância dos bancos públicos para a sociedade, está fazendo muita gente apoiar a iniciativa do governo. Não entendem a relevância dessas instituições para o equilíbrio dos juros e a prestação de serviço público, que não é de interesse de nenhum banco privado.

A economista Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento Federal e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista à Rede Brasil Atual afirmou que, com as privatizações, os consumidores e as empresas sairão perdendo. “As famílias que estão com dívidas por causas dos juros altíssimos dos bancos privados podem renegociar com os bancos públicos, reduzindo esses juros. As famílias perdem com a privatização. As empresas também, porque estão pegando dinheiro lá fora, criando dívida em dólar”

O enfraquecimento do BNDES causado por essa campanha, colocará o desenvolvimento econômico do Brasil no paredão. O aumento dos juros e a tentativa de tirar os recursos aplicados no banco, são atitudes que explicitam a intensão do governo de combalir a instituição para beneficiar os grandes bancos privados.

Só no BNDES as empresas podem fazer empréstimos à longo prazo, para compra de máquinas e equipamentos. Sem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, as empresas não terão onde buscar esses empréstimos, pois os bancos privados não oferecem esse tipo de crédito.

As mentiras são incontáveis. O governo assoberbou os “palácios” de corruptos hipócritas e mentirosos, que se contradizem o tempo todo. Uniu ministérios díspares e colocou seus chacais no comando. Uma equipe patética e com pouquíssimo conhecimento sobre suas funções. Mentiras e cinismo é o que há de mais comum. Mas o pior, é que muitos, continuam aplaudindo essa bizarrice toda.

Por Alvaro Santos

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