A Obsessão de Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro iniciou seu mandato promovendo uma cruzada contra a esquerda no Brasil. Seus discursos e atitudes revelam um comportamento obsessivo só visto no período da ditadura militar.

Truculento e de baixa performance intelectual, o novo presidente que ainda não desceu do palanque, ao invés de se concentrar nas questões fundamentais para o crescimento do país, prefere gastar sua energia e dinheiro público nessa tão famigerada cruzada contra todos os que pensam diferente dele. Ou ele é dissimulado ou realmente não sabe o verdadeiro significado de democracia.

Antes mesmo de tomar posse, Bolsonaro ameaçou o programa Mais Médicos. Sua declaração de que expulsaria os médicos cubanos do Brasil, durante campanha na cidade de Presidente Prudente, provocou a saída de, aproximadamente, 8 mil médicos do país e o fim de um programa que estava dando certo e salvando milhares de vidas. Suas palavras deixaram claro que sua real preocupação não era com as condições salariais e de trabalho desses médicos, como havia dito posteriormente.

Com essa atitude irresponsável, milhares de pessoas, hoje, estão sem atendimento médico. A maioria das vagas não foram ocupadas, pois médicos brasileiros se recusam a trabalhar em lugares longínquos e remotos. No entanto, para Bolsonaro e seus apoiadores, o importante é que os comunistas cubanos foram expurgados do país. A obsessão é maior que a causa da saúde pública, que, por obrigação, ele deveria cuidar.

Depois de empossado, Bolsonaro e sua excêntrica equipe de governo, mostraram para o que vieram. Como previsto, a cruzada ganhou poder e intensificação, começando pelas demissões em massa de pessoas que declararam voto contrário. Foram mais de 320 comissionados só no palácio do Planalto. A estultícia de Onyx Lorenzoni, responsável pelas demissões, promoveu uma enorme crise interna e prejudicou o andamento de trabalhos importantes.

Romeu Zema (Novo), governador eleito de Minas Gerias, resolveu ir pelo mesmo caminho. Exonerou mais de 6 mil servidores, provocando um estado de completa desordem. Para não se complicar ainda mais, teve que baixar a crista e reconduzir parte dos servidores.

Bolsonaro, em entrevista ao SBT, também deixou claro que não governará para os estados do Nordeste que elegeram governadores de esquerda. “Espero que não venham pedir nada para mim porque eu não sou o presidente deles. O presidente deles está em Curitiba” declarou.

Seu desejo em acabar com o ministério do trabalho e reduzir os direitos dos trabalhadores é outra ação persecutória para atingir a esquerda. Para o novo presidente, direitos trabalhistas é coisa de “esquerdista”, e por isso deve acabar.

O campo da educação é o que mais sofrerá com a as cruzadas de Bolsonaro. O desejo de impor uma ideologia grotesca e limitada, negando o livre pensar e o desenvolvimento intelectual do aluno. O cerceamento das ciências humanas e o repúdio aos grandes pensadores humanistas, fará com que a educação no Brasil volte à era medieval e teocêntrica.

O projeto de militarização das escolas públicas já está no forno. Muitos acreditam que será bom, que os alunos terão disciplina e serão mais dóceis, mas não se dão conta do prejuízo intelectual que eles sofrerão. Militares costumam impor censura aos conteúdos e cercear a liberdade na busca pelo conhecimento. Dá para promover disciplina nas escolas sem sacrificar áreas fundamentais para a educação e desenvolvimento dos alunos.

O Projeto Escola Sem Partido é outra bizarrice criado em 2004 pelo advogado Miguel Nagib, e apresentado, primeiramente, por Flávio Bolsonaro e posteriormente por seu irmão, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Segundo o projeto, o objetivo é combater a “doutrinação Marxista” nas escolas e encontrar equilíbrio na liberdade de ensinar e aprender.

Sobre a liberdade, isso já está estabelecido na constituição Federal e, sobre Marx, como poderíamos falar de história, filosofia, economia e sociologia nas escolas sem, sequer, citar um dos maiores pensadores do séc. XIX? Seria como falar da filosofia grega sem citar Sócrates, ou contar a história do futebol brasileiro sem citar Pelé.

Outra atitude de Bolsonaro, que justifica seu caráter truculento, ditatorial e de completa negação à democracia, é sua decisão de negar bolsas a estudantes que não abraçarem sua ideologia política. Chegou a afirmou que poderá interromper as bolsas de alunos que já fazem parte do programa. Uma atitude de preconceito sem precedentes.

Um Presidente tem o dever de promover e defender a livre produção do saber, mesmo que isso não o agrade. Não é sobre ele ou sobre suas ideias, mas sobre 209 milhões de brasileiros livres e com direitos garantidos por sua constituição.

Nem os povos originários escapam de sua insanidade. Os índios do Mato Grosso do Sul já choram pelas mortes de seus familiares, dentre elas, crianças inocentes, sem nenhuma divulgação da grande mídia. Esse governo tresloucado, já enviou tropas da força nacional, a polícia de fronteira, a militar e a federal para implantar seu estado de exceção e iniciar um massacre contra os índios em favor da classe ruralista.

São incontáveis os atos persecutórios do novo governo contra todos que simpatizam com pensamentos progressistas e humanistas. Sua cruzada ainda despertará muita dor, revolta e violência. Gostaria que fosse diferente, mas quando vejo o próprio poder judiciário se calando, ignorando a Constituição e fazendo do Brasil um país sem lei, o que mais posso esperar?

    Por Alvaro Santos

 

 

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