Política brasileira: A sombra de uma sociedade corrompida

Texto: Alvaro Santos

Não há como desassociar as palavras política e corrupção. O cenário político brasileiro está repugnante. Desvios de verba, propinas, fraudes, associação com o crime organizado e muito mais. Se formos enumerar os crimes dos políticos brasileiros, escreveríamos uma enciclopédia maior que a Barsa. Mas seriam eles os únicos responsáveis por tanta corrupção?

Tudo que existe precisa ter uma origem, até mesmo os políticos desonestos.  A classe política é o braço de uma sociedade organizada, se movem estimulados por esse organismo chamado povo, que se constitui na forma de maestro dessa grande e decadente orquestra política. É ele, o povo, composto de ricos e pobres, a origem dos políticos corruptos.

Não vou generalizar, pois sei que uma boa parcela da população é honesta e procura, de alguma forma, mudar essa cultura perniciosa. Temos, também, políticos incorruptíveis. São poucos, mas importantes na luta contra a devassidão moral. Infelizmente, isso não elimina o fato de sermos uma nação que carrega a corrupção em seu DNA. A sociedade brasileira, de uma forma geral, é gananciosa e completamente insensível em relação ao país e ao próximo. São poucos os que se levantam para contribuir com a mudança.

Não é raro encontrar pessoas que amaldiçoam políticos enquanto furam filas, roubam trocos, tomam o lugar de idosos, deficientes e gestantes, enganam clientes, roubam o patrão, exploram funcionários, discriminam outras pessoas, cometem crimes ambientais para aumentar os lucros e tantos outros pequenos e grandes delitos. Com certeza tais pessoas não seriam diferentes se estivessem no lugar deles.

É muito comum ver alguém procurando políticos para pedir favores pessoais. Pedem dinheiro, remédios, gás, empregos e outros itens mais esdrúxulos ainda. Para garantir tais favores, acabam sempre comprometendo seus votos e incorrendo em crime eleitoral.

Segundo o art. 299 do Código Eleitoral é considerado crime eleitoral “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”.

Não esqueçamos das grandes empresas que habitualmente financiam campanhas de políticos em troca de benefícios pessoais, como os contratos com o poder público. Uma prática comum, que fere a lei da livre concorrência, incorrendo no crime de abuso do poder econômico e aumento arbitrário dos lucros. Sem contar o superfaturamento nas vendas dos produtos e serviços, afim de pagar propina para todo mundo que está no caminho. Geralmente são os que mais reclamam do governo e vociferam contra a corrupção.

Antes de mudar os políticos, precisamos mudar a sociedade, expurgar sua maldade social, eliminar essa cultura colonialista de exploração e ajudar todo mundo a pensar coletivamente. Infelizmente, nosso atual governo, está caminhando na contramão de tudo que é sensato, implantando uma política ideológica, conservadora e retrógrada.

Enquanto o governo continuar nas mãos de pessoas gananciosas e doentes pelo poder, que pensam apenas em si mesmos, que exercem um governo de domínio do povo, de intimidação, de perseguição e preconceitos, nos resta educar nossos filhos para que sejam éticos, humanos e sensatos. Quem sabe um dia, eles ajudarão o Brasil se tornar um país de todos.

Por Alvaro Santos
Foto: Fábio Rodrigues pozzebom/ABr

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