QUE TIPO DE CRISTÃO APOIA UM LÍDER QUE INCITA ÓDIO E APOIA A TORTURA?

Quando olhamos para a história da igreja, percebemos quanta crueldade ela já cometeu em nome de Deus. As cruzadas e a Santa inquisição são os maiores exemplos de como o fanatismo religioso espalhou medo e morte no decorrer dos tempos.

O que nos surpreende é que a história parece não surtir efeito na vida de muita gente. É assustador a maneira como muitas igrejas e líderes religiosos, no Brasil, estão tentando levar a igreja de volta para a era das trevas. Não são poucos os que estão cegos pelos discursos de ódio contra tudo e todos que pensam diferente.

Esse fenômeno que ocupa as principais mídias e investe, massivamente, nas redes sociais, está arregimentando uma massa de fanáticos conservadores com a finalidade de ocupar espaços públicos e de grande importância para o futuro do país, como vemos no legislativo, no executivo e até mesmo no judiciário. É terrificante assistir os noticiários e ver que essa insanidade ganha força a cada dia na Câmara dos Deputados e no Senado. Denominados como a bancada da bíblia, vociferam discursos de ódio contra os que não se curvam às suas crenças distorcidas e aos seus planos diabólicos e corruptos, provando total desconhecimento da mensagem de Jesus.

Não é possível que igrejas inteiras apoiem um presidente que defende a tortura e a morte de dissidentes, enquanto se adora um Deus que foi igualmente torturado e morto. Pode uma pessoa glorificar a Jesus enquanto se lê na bíblia, que tanto defende, palavras de amor e perdão dirigidas aos inimigos e na segunda levantar bandeiras de ódio e violência contra aqueles que sequer são inimigos?

A eliminação de grupos divergentes é um ato da Idade Média, absolutamente inaceitável para a época e muito mais para os dias de hoje, onde podemos, facilmente, encontrar livros, documentários e filmes que mostram os horrores desse tempo. O próprio Cristo pregava que tratássemos os “pecadores” com amor e não com ódio. Em sua jornada acolheu a todos, prostitutas, homossexuais, miseráveis, imigrantes e pessoas de outras culturas e raças. A atitude desses “cristãos” fundamentalistas, é a atitude dos que condenaram, torturaram e mataram Jesus.

Não dá para entender um ser que nos domingos se emociona ao ler uma fala de Jesus em que diz, “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt. 5:43-44) e em outros dias da semana, gritar com orgulho idiota, “Bandido bom é bandido morto”.

Penso que todos têm o direito de apoiar qualquer político, de direita ou de esquerda, pois vivemos numa democracia, porém é inadmissível que um ser humano apoie alguém como Bolsonaro e seus filhos, que pregam a violência contra mulheres, homossexuais, índios, nordestinos, professores, estudantes e pobres.

Hoje entendo o que Nietzsche quis dizer quando escreveu que devemos lavar as mãos após apertar a mão de um cristão. Boa parte dos “cristãos” possui sangue em suas mãos. Quando uma pessoa se entrega ao preconceito, ao fundamentalismo religioso e à obsessão doentia de líderes que comungam dos mesmos ideais de ódio, certamente se torna, igualmente, culpado de todo mal produzido contra a humanidade, em nome de Deus.

Meu apelo para esses “cristãos”, é que esqueçam as leis perversas do antigo testamento, o ódio que nessa época se alimentava e se praticava, gratuitamente, contra outros seres humanos. Que foquem nas palavras e na vida daquele, o qual costumam suplicar diariamente em suas orações, Jesus, ou esqueceram o que o apóstolo Paulo disse! “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10:4-18).

Por Alvaro Santos

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.