Reforma da previdência, um crime contra os aposentados

A reforma da previdência está na reta final de suas discussões e, apesar de ter rolado muita água embaixo dessa ponte, nada do que mudou trará garantias e segurança para o trabalhador ou crescimento para o país.

O problema não está apenas na idade mínima, mas, principalmente, no fato do governo meter a mão nos bolsos dos futuros aposentados, que terão grande dificuldade para sobreviver quando envelhecerem. Os trabalhadores estão sendo roubados pelo governo, que tem como objetivo, atender os interesses da Bovespa

1 trilhão em economia em 10 anos não fará diferença para o país. Assim como a reforma trabalhista, a da previdência não produzirá crescimento econômico, a não ser para os muito ricos. É certo que essa quantia a ser economizada se diluirá nos bolsos dos que detém a dívida pública. Nada disso será usado para o bem da população. Pena que poucos conseguem ver isso.

Não conseguem ver, muito menos desenvolver sensibilidade para se compadecerem dos trabalhadores que vivem no sertão nordestino e nas periferias das grandes cidades. A médio prazo, testemunharemos a proliferação da miséria e o suicídio dos idosos, como acontece hoje no Chile.

Segundo publicação do site Esquerda Diário, “para fazer jus a 100% da aposentadoria a pessoa precisa alcançar um “fator” que é a somatória de idade e tempo de contribuição. Neste ano de 2019 esse somatório é de 86 para as mulheres e 96 para os homens (ou seja 60 de idade e 36 de contribuição, ou 65 de idade e 31 de contribuição). Porém esse 100% se aplica a uma média que descarta os 20% de menores contribuições. A nova regra impõe a média simples e impõe que para alcançar os 100% da média simples é preciso 40 anos de contribuição”.

Veja abaixo uma situação hipotética feita pela Esquerda Diário.

Um trabalhador tem 65 anos de idade e 32 anos de contribuição (um sortudo no meio da rotatividade do trabalho de nosso país, muito aumentada com a lei de terceirização garantida pelo STF e com a reforma trabalhista de Temer). Este trabalhador alcança um “fator” 97 e pode fazer jus a aposentadoria integral hoje. Ele contribuiu ao INSS por 6 anos numa média de R$1200,00 e nos outros 25 anos com um valor médio de R$2100,00. Os seis anos mais baixos (20%) são descartados e seu cálculo leva em conta somente os R$2100,00. Sua aposentadoria, grosso modo, seria esses R$2100,00, cerca de metade do valor calculado pelo DIEESE como o mínimo necessário no país (R$4259,90%).

Como seria sua aposentadoria, na nova regra de Bolsonaro?

  1. Ele não faz jus à aposentadoria integral.

Para isso ele precisaria de 40 anos de contribuição, tendo que trabalhar continuamente (sem desemprego em nenhum momento) até a absurda idade de 74 anos! Se ele seguisse trabalhando até essa absurda idade ele se aposentaria com R$ 1925,80. Quase 200 reais menos que hoje!

  • Ele quer se aposentar mesmo assim pois já sobreviveu a exploração capitalista até os 65 anos de idade.

Pela nova regra a partir de 20 anos de contribuição o trabalhador tem direito a 60% da média simples de suas contribuições e a cada novo ano de trabalho ganha 2% desta média. Ele tem 31 anos de contribuição então ele tem direito a 60%+(11X2%)= 82% da média simples.

Mas agora o cálculo é de média simples. Sua média de contribuição foi por 6 anos R$1200 e por 25 anos R$2100, a média total é de R$1925. Ele tem direito a 82% desses R$1925, ou seja R$1579. Ele foi furtado em R$530!

Este exemplo, nos dá a certeza de que a reforma da previdência é um grande crime contra a classe trabalhadora. Uma cortina de fumaça para beneficiar quem menos precisa. O pobre ficará ainda mais pobre e o país mergulhará em uma crise sem precedentes. Infelizmente, apoiadores desse governo assassino, só se darão conta do erro quando estiverem no fundo do poço.

Por Alvaro Santos

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