Ele salvou o mundo dos nazistas, mas ao invés de honrarias, recebeu a castração química

Estava sem ideia sobre o que escrever até assistir ao filme “O Jogo da Imitação”. É uma história real, uma cinebiografia sobre a vida de Alan Mathison Turing, matemático brilhante que conseguiu decifrar o “Enigma”, um aparelho alemão que enviava mensagens criptografadas na segunda guerra mundial. Sua descoberta permitiu a vitória dos aliados contra a Alemanha nazista. Estima-se que Alan Turing conseguiu antecipar o fim da guerra em pelo menos dois anos. Milhões de pessoas foram salvas. A Máquina de Turing, criada para este fim, deu origem ao primeiro computador moderno.

Ao invés de comendas e outras honrarias, o gênio Alan Turing foi execrado e humilhado, o motivo? Era homossexual. Duas alternativas lhe foram propostas, a prisão ou a castração química, a segunda foi sua lastimosa escolha.

Turing sobrelevou sua carreira em ato heroico. Deveria ter desfrutado desse momento de glória, celebrado seu grande feito como todo mundo, mas ao contrário, sua vida pós-guerra foi de intensa tristeza e culpa, uma agonia profundamente dolorosa que o levou a cometer suicídio com cianeto.

Indigno-me quando ouço histórias como essa. Pessoas insolentes condenando e maltratando outras pessoas por serem simplesmente diferentes ou por viverem em desacordo às ideias dominantes, mesmo sendo, estes, seres humanos excepcionais.

Como seria maravilhoso se as pessoas pudessem ser livres para viverem de acordo com suas naturezas e suas escolhas, sem serem oprimidas, condenadas, execradas, abominadas, escarnecidas ou ridicularizadas… Pensem! Como seria o mundo se as mulheres tivessem sido valorizadas e respeitadas como os homens desde o início de sua existência? Se os negros nunca tivessem sido tratados como raça inferior? Se os homossexuais não fossem vistos como pederastas e abominação? Se os membros das religiões de matriz africana não fossem demonizados e escrachados? Se todas as pessoas tivessem a liberdade de escolher em que crer ou em nada crer sem serem importunadas ou desqualificadas com certa insignificância? Como seria?

Deveríamos ter o mínimo de sensatez para entendermos a diversidade humana, para sabermos que não somos iguais e que nada podemos fazer para mudar isso. A imposição de padrões pré-estabelecidos é uma violência contra a natureza, é um genocídio ideológico e insano. Se sentíssemos, de fato, a dor dos que são inferiorizados e sentenciados à exclusão social, certamente sentiríamos vergonha do que nos tornamos, nos veríamos como monstros, como pecadores insanos.

Deveríamos nos redimir com as pessoas as quais queimamos nas fogueiras da intolerância e isso só será possível se lançarmos mão de todo o preconceito, se aceitarmos que alguém pode não crer no que eu creio, que alguém pode desejar trilhar um caminho diferente do meu, não se vestir como eu me visto, não gostar das canções que eu gosto ou de ler os mesmo livros. Afinal, é essa multiplicidade que torna o mundo mais bonito e prazeroso. Como bem disse Jadson Ferreira, “Não deixe a diversidade se transformar em adversidade”.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.