Um inimigo poderoso ressurge no Brasil, o Estado.

Os dias são sombrios para a população pobre e especialmente negra do Brasil. Parece que o discurso de campanha do novo governo, que ainda continua no palanque, está frutificando pelas mãos do próprio Estado. O preconceito e o ódio que estavam reprimidos no peito dos cidadãos de “bem” de supremacia branca, ganhou liberdade e carta branca para espalhar medo e terror nas comunidades pobres e indefesas.

Sem o Estado para proteger a população menos favorecida, a atmosfera do país está se tornando densa e lúgubre. O colorido e a alegria contagiante dos brasileiros, parece ter dado lugar ao medo, à indignação e à melancolia. Há muitos anos não se via um clima tão hostil e incerto como o de hoje.

Policiais e soldados do exército, que não conseguem, sequer, perceber que são parte dessa massa pobre e oprimida, tornam-se braço de opressão desse novo Estado. O que se vê, hoje, são policiais abusando da autoridade e agindo com extrema violência contra pobres, negros e qualquer pessoa que discorde do atual governo.

Ontem, uma cena lamentável de horror, foi protagonizada pelo exército brasileiro. Uma família que estava indo para um chá de bebê, foi alvejada por 80 tiros de fuzis por soldados que alegaram perseguição a assaltantes. No carro estavam pai, mãe, uma criança de 7 anos, o sogro e uma outra mulher. O motorista morreu no local, seu sogro e um pedestre, que tentou ajudar, também foram atingidos e estão internados.  Coincidência ou não, os ocupantes do veículo eram negros.

 Este crime deveria ter indignado todo mundo, mas não foi isso que aconteceu. O exército tenta se esquivar da responsabilidade enquanto recebe apoio de brasileiros fascistas, fãs de Bolsonaro e Sérgio Moro. Logo após o crime ser noticiado pelo Fantástico, o advogado bolsonarista do Rio Grande do Norte, Erick Procópio, ameaçou o jornalista Carlos de Lannoy de morte. No Instagram do jornalista ele escreveu: “Se você escolher falar merda e defender bandido é escolha sua. Seu merda! Se for errado paga com a vida! Mexeu com o exército, assinou sua sentença! Sua família vai pagar! Aguarde as cartas”.

No mesmo dia, uma mulher que participava de uma manifestação a favor da libertação de Lula, foi agredida por três homens bolsonaristas. Sem que a mulher esboçasse qualquer ato de agressão física, um deles a pegou por trás e lhe deu uma gravata, enquanto os outros a empurravam e a agrediam com palavrões. Pasmem! A vítima é quem foi presa pela polícia militar.   

A verdade é que o fascismo está à solta e cometendo milhares de crimes que não serão, sequer, investigados. O Estado rompeu com a população de baixa renda e se tornou seu pior pesadelo. Deixados à própria sorte, pobres trabalhadores agora precisam se unir entre si para tentar sobreviver neste novo contexto de tirania social.

O novo Estado tenta de todos os modos, oprimir ainda mais as camadas mais baixas da sociedade, já curtida pela dor e o sofrimento das batalhas diárias. O governo federal e alguns estaduais, como o de São Paulo, estão empenhados numa grande caçada contra o espírito livre, criativo e feliz da população mais humilde. Parecem zumbis frustrados que, apesar da riqueza e poder que possuem, não conseguem sentir um mínimo de alegria e aconchego humano, claramente vistos nos mais pobres. Tal estado, parece despertar um misto de raiva e inveja e, para aplacar esses sentimentos, tentam destruir as fontes que humanizam e dão esperança para as comunidades carentes.

As fontes são os programas sociais e as leis que garantem maior dignidade para um estrato social tão privado de boas oportunidades. A reforma trabalhista e da Previdência são exemplos de projetos que lançarão os pobres ainda mais às margens da sociedade. Os projetos culturais e de educação são outros alvos desse governo de chacais.

A saúde foi o primeiro alvo. Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, conseguiu deixar milhões de brasileiros sem assistência básica de saúde. De janeiro de 2018 até hoje, 7.120 médicos brasileiros já abandonaram o programa Mais Médicos.

Os projetos culturais entraram na mira do governo. Em São Paulo, João Doria tentou destruir o projeto Guri. A ideia era fechar algumas unidades e demitir mais de 500 professores, mas o governo não contava com a enorme manifestação de pessoas indignadas com a decisão. De olhos nas eleições, uma das poucas coisas que seguram a mão opressora dos governantes, Doria voltou atrás e liberou a verba contingenciada.

Inúmeros são os atos contra o povo, principalmente os mais carentes. Nos sentimos impotentes diante de todos os absurdos perpetrados pelo governo Bolsonaro, com o apoio de tantos outros políticos eleitos para representarem e defenderem os interesses da população. Mais que impotentes, indignados por saber que uma massa de manobra, burra e cega, apoia estes atos desumanos contra seu próprio povo. O Estado se compôs como arma nas mãos das grandes potências, como um inimigo de sua própria gente.      

Redação Carta Democrática

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