Um Presidente assombrado pelo isolamento político e popular

Não se passaram nem cinco meses e o governo já começou a dar sinais de desespero. Com o abandono de grandes apoiadores, como Janaina Paschoal (PSL) e MBL, Bolsonaro decide convocar uma manifestação para domingo (26) e mostrar que ainda possui forte apoio da sociedade.

Não são poucos os que estão emitindo sinais de que pularão do barco, em breve. Até mesmo seu guru, o patético Olavo de Carvalho, no dia 15, durante a impressionante manifestação dos professores, alunos e servidores contra os cortes na educação, anunciou que iria se afastar temporariamente das discussões políticas do Brasil, o que vem mantendo desde então.

O que o presidente e seus asseclas não contam é que, uma convocação nas atuais circunstâncias, poderá ser um grande tiro no pé do governo. Eles contam com apoio popular sem, sequer, refletir sobres as possíveis e desastrosas consequências que o ato poderá produzir.

Se a manifestação for maior que a do último dia 15, o governo sairá por cima, mas se for bem menor, Bolsonaro cairá em descrédito, recrudescendo a força e a motivação da oposição que seguirá engrossando as fileiras das próximas manifestações contrárias ao governo.  

Talvez você, amigo leitor, se lembre quando o ex-presidente Fernando Collor, no dia 13 de agosto de 1992, fez um discurso acalorado convocando a população para ir às ruas, no próximo domingo (16), vestida com as cores da bandeira do Brasil. “A minoria atrapalha, a maioria trabalha. Vamos mostrar que já é hora de dar um basta a tudo isso. Vamos inundar o Brasil de verde e amarelo”, disse Collor.

O resultado não saiu como ele previu, apenas acelerou seu processo de impeachment. Ao invés de verde e amarelo, a população optou pelo preto nas roupas e bandeiras penduradas nas fachadas das casas e dos prédios.

Bolsonaro se acostumou tanto em interagir com os robôs de suas redes sociais, que já passou a acreditar que são seguidores de verdade. Baseado em sua governança de Twitter, acredita piamente que conseguirá levar milhares de pessoas às ruas para defenderem seu governo.

Bolsonaro joga tão baixo o jogo da política, que o inesperado pode acontecer. Com as fake news disparadas por robôs nas redes sociais, que não existiam na época de Collor, e com as vozes de alguns apoiadores radicais, tudo é possível.

Uma atitude baixa e inaceitável de Bolsonaro foi a divulgação de um vídeo em que um pastor o chama de escolhido por Deus para guiar o Brasil. Esse comportamento vulgar não condiz com alguém que ocupa a principal cadeira política do país. Alguém, em sua posição, deveria se defender no campo das ideias políticas e não metafísicas, levantando fatos probatórios que justifiquem suas queixas e trazendo propostas consistentes, que realmente beneficiem a população brasileira.

Alguns líderes religiosos se aproveitam da fé das pessoas para enriquecer, já Bolsonaro, está usando para tirar vantagens políticas. Num país em que a maioria dos brasileiros acredita que a fé é o aspecto mais importante para melhorar de vida, segundo pesquisa divulgada pela ONG Oxfam Brasil, o apelo ao transcendente acaba, para os inúteis, sendo o caminho mais fácil para virar o jogo.

Suponhamos que Bolsonaro consiga levar um público expressivo para as ruas, ainda assim, o governo continuará correndo risco com um tiro que poderá sair pela culatra. Há muitos manifestantes radicais, incitados pela própria família Bolsonaro, que irão para as ruas pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um destes radicais, afirmou que “o ideal é todos partirem para Brasília (…). Fechar o Congresso e sitiar aquele povo. Chamar o Bolsonaro para tomar uma atitude. Se não deixarem, as Forças Armadas.”

Se essa bandeira ganhar visibilidade e destaque na grande mídia, poderá provocar uma debandada da classe empresarial e, consequentemente, o governo sairá ainda mais enfraquecido das ruas.

É bom lembrar, que o mercado não está apoiando Bolsonaro por causa da sua ideologia conservadora e fundamentalista, mas, unicamente, para aprovar as reformas econômicas que beneficiarão suas empresas. O mercado é liberal em todos os sentidos. A única coisa que lhe interessa é que o capitalismo continue pujante e a sociedade cada vez mais consumista.

Por Alvaro Santos
Foto: Jeso Carneiro

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