Um presidente que não gosta de falar ou não sabe o que dizer?

Jair Bolsonaro começou o dia desta quarta-feira (20) meio embaraçado devido ao protesto feito pelos deputados do PSOL, que estavam vestidos com aventais laranjas e exibindo laranjas nas mãos, em referência ao escândalo do laranjal do PSL, partido do presidente.

A visita do Presidente ao congresso, para entregar seu controverso projeto da reforma da previdência, foi, para muitos, uma demonstração de insolência e descaso à imprensa, aos parlamentares e ao povo brasileiro.

É claro que seu comportamento vil não se deu pelo constrangimento de ter sido surpreendido pelos parlamentares do PSOL. É próprio do Bolsonaro se comportar como um cão assustado diante dos jornalistas, pois odeia que o coloquem na parede. Isso explica o porquê de suas entrevistas apenas para emissoras aliadas.

Acredito que ele seja mesmo um insolente mal-educado, mas, também, acredito que essa arrogância toda se deve a algum tipo de problema neurológico que tenha afetado sua capacidade cognitiva. Com um pouco de sensibilidade e uma observação mais atenta, poderíamos acreditar que sua soberba não passa de uma defesa. Um comportamento para esconder o real problema.

Penso que tudo que Bolsonaro gostaria de fazer, era pegar um microfone e dominar qualquer público com uma oratória digna de ser comparada à de Demóstones, o mais famoso e proeminente orador da história. Mas diferente de Demóstones, que possuía uma capacidade intelectual e cultural notabilíssima, Bolsonaro é inepto e nem um pouco articulado.

A dificuldade em juntar palavras e frases, tornou o novo dignitário do Brasil, mais um meme que um presidente de fato. Sua inabilidade social e política, talvez seja um dos grandes motivos que justifique seu ódio ao ex-presidente Lula, que ao contrário dele, se tornou um grande estadista, com reconhecimento mundial, devido sua grande habilidade comunicativa e de articulação política.

A entrega de um projeto tão importante para o governo, deveria ser uma solenidade, com discurso esfuziante por parte do presidente. Uma oportunidade que ele não deveria perder, tendo em vista a atual conjuntura política de seu governo desnorteado. Bolsonaro, nem ao menos, falou com os jornalistas. Nunca, na história, o Brasil teve um presidente com tamanho pavor da imprensa. 

Alguém poderia dizer que é simplesmente fobia social, mas fóbicos sociais não se comportam dessa maneira. Eles sempre se preparam além do esperado, para não fazerem feio diante do público. Nos debates eleitorais do início da campanha, Bolsonaro escrevia colas nas mãos. Eram palavras evidentes que ele não deveria esquecer em suas falas, como Deus, família e Brasil.

A cola nas mãos, é mais uma das tantas provas do seu cognitivo primário, que parece estar no DNA da família, tendo em vista o comportamento dos seus três filhos. Em que lugar do mundo, um candidato a presidente, precisou anotar, na mão, o nome do seu próprio país para não esquecer de falar dele nos debates?

Alguém poderia até dizer que era para não esquecer a ordem dos temas, mas, mesmo sendo igualmente estranho, também não cola, pois o debate era conduzido pelos jornalistas, que faziam as perguntas, como foi no caso do Jornal Nacional do dia 28.08.18. Pare e reflita com maior atenção sobre isso e verá que soa, no mínimo, estupidamente ridículo.

O perfil inepto do novo presidente, também demonstrado em seu infame discurso de 10 minutos em Davos, está, com apenas 51 dias de governo, desenhando um novo cenário político para o Brasil. Sua fraqueza e insignificância reacendeu a esperança dos militares, que já estão com as mãos nas rédeas, enquanto cozinham Bolsonaro em água fria. Isso é percebível à medida que se apropriam dos cargos estrategicamente importantes.

Enquanto isso, Bolsonaro passa seus dias com cara de paisagem, de quem se tornou, sem perceber, apenas um boneco de fantoches.

Por Alvaro Santos
Foto: Nelson Almeida

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