Vaza Jato: A melhor defesa é o ataque

Ontem o país foi surpreendido com a notícia dos áudios vazados pelo site de notícias The Intercept Brasil. O conteúdo mostra que a força-tarefa da Lava Jato se movimentou de forma ilícita para impedir a eleição do candidato do PT, Fernando Haddad. Uma das ações articuladas foi a da antecipação da prisão de Lula com o uso de provas que eles mesmos, segundo o próprio áudio mostrou, consideraram inconsistentes.

Claro que o ex-juiz federal Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol iriam se defender atacando. O ataque é a melhor defesa diante de provas incontestáveis. Na tentativa de combater as denúncias, Moro e Dallangnol instigam asseclas a, também, saírem em busca de culpados para atacarem.

 O jornalista Glenn Greenwald se tornou o principal alvo dos filhos de Bolsonaro, bem como os bolsonaristas de plantão. Eduardo e Carlos Bolsonaro, estão instigando a milícia digital contra o jornalista. Preparem-se, pois essa milícia, blindada pelo atual Estado, fará inúmeros ataques à moral de Greenwald para colocar em dúvida seu trabalho investigativo.

Moro e Dallagnol, alegaram não ter nada de ilegal nas provas apresentadas, mas isso não é verdade. As provas revelam a imparcialidade de Moro e sua atuação ilegal e gravíssima no processo do ex-presidente Lula. Orientar o MP a armar as provas para que sejam menos contestadas é inadmissível, do ponto de vista jurídico e moral.  

A justiça precisa investigar e punir os personagens da Lava Jato, para que isso não se torne um costume, aumentando ainda mais a insegurança jurídica. Se os áudios foram obtidos de forma ilegal, não poderá ser usado num processo, mas é dever da justiça investigar, uma vez que os áudios são reais.

No mínimo, Moro e Dallagnol, estão aprendendo que provas obtidas de forma ilícita não podem ser usadas nos processos e que os direitos dos acusados precisam ser respeitados, tudo o que não fizeram nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como farão, doravante, sendo que sempre defenderam o uso de escutas e outras provas ilícitas? Mudarão, agora, de opinião?

O questionamento de Moro sobre a ilicitude da fonte e contra a forma como esses áudios foram adquiridos é uma enorme contradição às suas declarações anteriores, principalmente sobre o caso do grampo da conversa da então Presidente da República, Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula.

Resta saber se a justiça irá cumprir seu papel ou se acovardar diante desse escândalo, sem precedentes no Brasil.  É sua obrigação se manifestar, investigar e punir todos os culpados, segundo a lei, caso contrário, seus representantes serão ainda mais desmoralizados e execrados pela opinião pública.

O Brasil todo perde com essa insegurança jurídica. A população se sente insegura quanto aos seus direitos e a política fica à mercê de quadrilhas de magistrados corruptos, que acreditam poder criar e aplicar suas próprias leis à revelia da Constituição Federal e demais leis. A economia também perde, uma vez que empresas estrangeiras se recusam a investir em países cujas próprias leis não são respeitadas.

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela, que já causou danos irreversíveis para país. Que os culpados sejam exemplarmente punidos, a justiça restaurada e seus personagens moralizados.   

Por Alvaro Santos
Imagem: Agência Brasil

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